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Artigo
É grande o risco de doença arterial coronariana na mulher
29/03/2009 10:00
Doença arterial coronariana na mulher: risco subestimado
Apesar dos avanços diagnósticos, os eventos cardiovasculares representam a maior causa de mortalidade no sexo feminino.
Por muitas décadas, acreditou-se que a doença arterial coronariana (DAC) estava ligada ao sexo masculino, mas hoje se sabe que as mulheres também são suscetíveis a esse problema, só que de 10 a 15 anos mais tarde em relação aos homens. Uma vez evidenciada, no entanto, a DAC tem prognóstico pior no sexo feminino. Os números falam por si: 40% de todos os eventos coronarianos são fatais nessa população e 67% das mortes súbitas causadas por obstruções nas coronárias ocorrem em mulheres que não apresentaram nenhuma manifestação prévia. Por outro lado, apenas 50% das pacientes com sintomas sugestivos de angina possuem lesão obstrutiva significativa na cinecoronariografia. A despeito disso, e mesmo com os atuais avanços tecnológicos, as doenças cardiovasculares são a maior causa de óbito no grupo feminino.
Embora os fatores de risco sejam os mesmos nos dois sexos, a obesidade vem crescendo de forma acentuada entre as mulheres de todas as idades, em todos os estratos sociais, principalmente nos de renda média, assim como o tabagismo. Para completar, deve-se levar em conta a tripla jornada feminina – trabalho em dois períodos, com a adição das obrigações familiares –, que produz maior estresse, diminui o tempo disponível para a prática esportiva e favorece uma alimentação inadequada, com consequente elevação do colesterol e aumento da prevalência de hipertensão arterial e, sobretudo, de diabetes. Como o risco de doença arterial coronariana pode ser modificado pela triagem apropriada e pela intervenção e terapêutica agressivas, o diagnóstico precoce costuma ser de grande benefício para as mulheres, ao lado da orientação firme para a modificação do estilo de vida.
Como avaliar o real estado das coronárias femininas
Vários métodos diagnósticos podem ser usados com essa finalidade, oferecendo detalhes importantes para detectar precocemente a presença de obstruções significativas nas coronárias das mulheres e ajudar o médico na estratificação de risco cardiovascular e no manuseio clínico dessa população. Alguns fatores precisam ainda ser considerados na escolha, como a disponibilidade do exame, a probabilidade pré-teste do grupo estudado, as restrições de cada paciente e as informações que cada técnica oferece.
O teste ergométrico é considerado o primeiro passo para a investigação da DAC, já que tem custo reduzido e ampla disponibilidade. Entretanto, possui limitações no sexo feminino por sua acurácia mais baixa para a detecção da doença arterial coronariana, em geral decorrente do menor preparo físico da mulher, que dificulta a realização do esforço cardíaco adequado para a avaliação ergométrica. Tanto é assim que, nessa população, o método apresenta sensibilidade e especificidade médias inferiores às que ostenta no sexo masculino, alcançando em torno de 61% e 69%, respectivamente.
Por esse motivo, as diretrizes da Associação Americana de Cardiologia recomendam que o teste ergométrico seja o exame de primeira escolha apenas para mulheres com eletrocardiograma normal em repouso e para aquelas possivelmente aptas a realizar nível adequado de esforço. As demais devem iniciar a investigação por métodos não invasivos de imagem, como a cintilografia de perfusão miocárdica ou a ecocardiografia de estresse.
font size="1">FONTE: FLEURY
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