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Excesso de prolactina leva a diferentes problemas


14/06/2009 10:00


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Excesso de prolactina leva a diferentes problemas


Excesso de prolactina leva a diferentes problemas



Fisiologia da prolactina

A prolactina é um hormônio polipeptídico secretado pela adenoipófise contendo 198 aminoácidos com estrutura semelhante à do hormônio do crescimento e lactogênio placentário, com peso molecular de 22000 daltons(DA).

Importante na participação de processo de lactação, exercendo ações fundamentais na preparação e manutenção da glândula mamária para a secreção de leite. A elevação está correlacionada com os níveis crescente de estradiol eprogesterona, que atuam no hipotálamo, inibindo a liberação de dopamina, que por sua vez controla o fator de inibição da prolactina ( PIF), e consequentemente aumenta a secreção da prolactina. Além do mecanismo, o estradiol apresenta ação direta na hipófise e aumenta a resposta de TRH ( fator liberador de tireotrofina).

Outros sistemas neurotransmissores e neuromoduladores interagem o controle da secreção da prolactina. A prolactina fixa-se em diferentes tecidos, principalmente na glândula mamária, com a qual apresenta maior afinidade de ligação, determinando seus próprios receptores. A PRL atua em todas as fases da gestação, e os altos níveis encontrados parecem serem necessários para que os estrogênios exerçam seus efeitos biológicos na glândula mamária. Auxilia o estrogênio no desenvolvimento dos ductos e com a progesterona promove diferenciação ducto-alveolar. Induz ainda o aparecimento de mitoses nas células epiteliais e estimula as enzimas necessárias para a secreção alveolar. Após a ovulação, o endométrio se transforma em um órgão endócrino e assim permanece durante a gestação. A prolactina é sintetizada durante o ciclo menstrual normal, mas essa síntese não é iniciada até que comece a decidualização histológica no vigésimo terceiro dia do ciclo. Durante a gravidez a secreção de prolactina é limitada a hipófise fetal, hipófise materna e útero. As contrações de proalctina no líquido amniótico correm paralelas à concentração sérica materna até a 10ª semana de gravidez, elevando-se pronunciadamente até a 20ª semana, e a seguir diminuem. Produção e ejeção do leite na mulher. Durante a gravidez as glândulas mamárias se preparam para lactar, aumentando seu volume através da ação de hormônios, principalmente estrógeno e progesterona. O estrógeno faz com que o sistema de dutos da mama cresça e se ramifique.

Simultaneamente, o estroma das mamas aumenta em quantidade, abrigando grande acumulo de gordura. No crescimento do sistema de dutos outros hormônios também são importantes: hormônio do crescimento, glicocorticóides adrenais e insulina. A progesterona atua sinergicamente com o estrógeno no desenvolvimento final das mamas em órgãos secretores de leite. A concentração da prolactina (hormônio responsável pela secreção do leite) é crescente no sangue a partir da quinta semana de gestação até o nascimento da criança. Assim devido ao efeito supressivo do estrógeno e do progesterona sobre a ação da prolactina apenas alguns mililitros de leite são secretados por dia até o nascimento do bebe. Somente após o nascimento, com a expulsão da placenta, cessa o efeito inibitório desses hormônios sobre a prolactina. Ao sugar a mama o recém nascido estimula as terminações nervosas do mamilo, enviando um estímulo à hipófise, cujo lobo posterior libera a ocitocina. Este hormônio atua sobre as células mioepiteliais que envolvem os alvéolos, provocando o reflexo da ejeção do leite. Um problema particular da amamentação da criança decorre de que muitos fatores psicogênicos ou a estimulação simpática generalizada do corpo podem inibir a secreção de ocitocina e com isso deprimir a ejeção de leite.

Secreção de prolactina

A expressão do gene da prolactina ocorre nos lactotrofos da glândula pituitária anterior, no endométrio decidualizado e no miométrio. A prolactina secretada nesses locais é idêntica, mas há diferenças no mRNA, indicando diferenças na regulação do gene da proalctina. A principal função da prolactina em mamíferos é a lactogênese, enqanto que em peixes a prolactina é importante para osmorregulação. A expressão do gene da prolactina é ainda regulada por outros fatores específicos para a espécie. A transcrição do gene da prolactina é estimulada pelo estrogênio, sendo mediada pela ligação estrogênio/receptor a elementos reativos ao estrogênio. Conforme observado, a secreção da prolactina é inibia e estimulada pela associação e dissociação da dopamina de seus receptores.

Heterogeneidade

Inicialmente diferenças na prolactina foram observadas com base no tamanho, levando ao uso termos como grande, pequena e grande grande. Estudos químicos mais avançados mostraram modificações estruturais que incluem glicosilação, fosforilação e variações na ligação e carga. Essa heterogeneidade se deve a muitas influências em muitos níveis: transcrição, translação e metabolismo periférico. A prolactina é codificada por um único gene, produzindo uma molécula que na sua forma principal é mantida em três alças por pontes de dissulfeto. Tanto formas maiores como menores foram identificadas. A prolactina pequena provavelmente representa uma variante de quebra com deleção de aminoácidos. A prolactina grande pode resultar da falha em se remover introns; ela tem pouca atividade biológica e não dá reação cruzada com os anticorpos da forma principal de prolactina. Já as prolactinas grande grande devem-se à ligação de duas moléculas de proalctina entre si , tanto não covalente como por pontes de dissulfeto entre cadeias . Algumas das formas aparentemente maiores de prolactina são moléculas de prolactina em um complexo com proteínas ligadas a elas.

Conclusão

A prolactina é uma substância produzida no sistema nervoso central (SNC). Esse hormônio é secretado por células localizadas na porção anterior de uma glândula denominada hipófise. A prolactina está presente em todos os mamíferos, sendo descrita pela primeira vez em ovelhas no ano de 1937.

Os pesquisadores Frantz e Kleinberg realizaram a descoberta dessa substância nos seres humanos no ano de 1970. A prolactina, assim como vários outros hormônios, possui um ritmo de secreção variável, conhecido como “ritmo de secreção hormonal”. O ritmo da prolactina apresenta elevação de sua secreção no período noturno, logo após o início do sono.

Várias substâncias bioquímicas produzidas no sistema nervoso central controlam esse ritmo. Todos os mecanismos de controle existentes formam um eixo de integração entre o córtex cerebral, o hipotálamo e a hipófise. Dessa forma, a secreção do hormônio prolactina pela glândula hipófise depende de vários fatores reguladores.

Esse hormônio desempenha um importante papel na manutenção da amamentação, estimulando a produção de leite pelas glândulas mamárias nas mulheres. A prolactina também é produzida pelos homens, sendo a sua função ainda não totalmente conhecida.

As doenças que envolvem a secreção da prolactina são caracterizadas pelo excesso de sua produção. A hiperprolactinemia é o termo usado para denominar o excesso dos níveis desse hormônio no sangue. Ocorre mais freqüentemente nas mulheres entre os 20 e 50 anos. Esse aumento determina um quadro clínico conhecido como galactorréia (produção de leite pelas mamas fora do período de amamentação). Além disso, as mulheres podem apresentar irregularidades menstruais, amenorréia (parada da menstruação), diminuição do desejo sexual e infertilidade.

Os homens, por sua vez, podem apresentar quadro de disfunção erétil, diminuição da libido (desejo), infertilidade, baixa produção de espermatozóides e ginecomastia (desenvolvimento de mamas em homens).

Em ambos os sexos, o excesso do hormônio prolactina pode determinar diminuição da densidade mineral óssea e até osteoporose. Outras manifestações que podem ocorrer: depressão, ansiedade, edema e obesidade.

A hiperprolactinemia pode ser decorrente do uso de vários medicamentos, como antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, anticoncepcionais, entre outros. Doenças que acometem a região do sistema nervoso central, correspondente ao hipotálamo e à hipófise também podem determinar hiperprolactinemia (tumores, infecções, inflamações, traumatismos).

A prolactina pode ser dosada em exame comum de sangue. Essa coleta deve ser realizada com o indivíduo após um repouso de ao menos 30 minutos. Esse repouso é muito importante, visto que o próprio estresse no momento da coleta pode elevar os níveis de prolactina. Exames de imagem radiológica (tomografia axial computadorizada e ressonância nuclear magnética) podem ser realizados, conforme a necessidade da investigação clínica.

O tratamento dos prolactinomas (tumores produtores de prolactina) pode ser realizado com medicamentos (considerados como a primeira escolha). Em algumas situações, o tratamento neurocirúrgico e/ou radioterapia podem ser necessários.


Reposição Hormonal Feminina


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FONTE: Fulvio Clemo Santos Thomazelli, Site Médico - BERTANI, A.C., FAGUNDES, M. G. A. S., CAMPOS, E., MEDEIROS, Y. S., Setor de Imunoquímica do Laboratório Médico Santa Luzia
 

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