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Obesidade, Climatério e Menopausa
08/07/2009 10:00
Obesidade, Climatério e Menopausa
Entre os 40 e os 50 anos o ciclo sexual feminino pode tornar-se irregular e algumas vezes sem ovulação, até que, após alguns meses ou anos cessa completamente. Esta fase durante a qual param os ciclos sexuais e os hormônios sexuais femininos diminuem com rapidez até que atingem quase o zero chama-se menopausa.
A menopausa supõem uma série de alterações fisiológicas bem evidentes produzidas pela falta de estrógenos como as faltas de ar, os calores (fogachos), a irritabilidade, a ansiedade com conseqüências físicas e psíquicas. Numa perspectiva nutricional convém destacar a tendência para engordar que existe na maior parte das mulheres nesta fase da vida e que pode refletir num aumento mínimo de 2 a 3 kg no seu peso habitual.
A distribuição de gordura no organismo sofre alterações e muitas mulheres referem um aumento de volume, sobretudo na zona abdominal. Outro grande problema fisiológico com repercussões ao nível nutricional que se manifesta nesta fase da vida pode ser a descalcificação óssea com perda de massa óssea e o aparecimento da osteoporose (e osteopenia) freqüente na menopausa aumentando o risco de fraturas e outros transtornos esqueléticos.
Com a menopausa é freqüente também o aumento da aterosclerose, diabetes, aumento do colesterol, aumento dos triglicerídeos, hipertensão arterial, etc.
Quase todos os problemas da menopausa e do climatério podem ser minimizados através de nutrientes, alimentação e dietas com grande eficácia. A alimentação durante a menopausa, quando não existem complicações metabólicas ou doenças associadas deve limitar-se a uma alimentação saudável em função de vários fatores com a idade, estatura, clima e a atividade física.
O aporte energético deve adaptar-se à necessidade de cada mulher em função da atividade que esta desempenhe. Tendo em conta que segundo a FAO e OMS, a partir dos 40 anos as necessidades de energia diminuem cerca de 5% por cada década. Os hidratos de carbono devem manter-se numa proporção de 55 a 60% do valor calórico total da dieta, dando preferência aos hidratos de carbono complexos, nomeadamente aos amidos.
A quantidade de gorduras da alimentação deve rondar os 30% do Valor Calórico Total, podendo a ultrapassagem deste limite refletir-se em ganho de peso. É extremamente importante ter em conta a origem das gorduras limitando as gorduras de origem animal, mais associadas com a aterogênese e formação de ateromas preferindo gorduras de origem vegetal, em particular algumas ricas em ácidos gordos monos-insaturados como é o caso do azeite de oliva primeira prensa sem uso de calor.
Ter também em atenção o tipo de utilização culinária a que estas gorduras são sujeitas já que muitas são altamente perecíveis às temperaturas elevados originando-se ácidos gordos anômalos (trans) que com a hidrogenação transformam por vezes gorduras aceitáveis em cru em produtos com potencial implicação na carcinogênese e na aterosclerose. Devem ser valorizados os ácidos gordos poliinsaturados de cadeia longa da série n-3, existentes, sobretudo nas gorduras dos peixes e que apresentam propriedades preventivas da aterosclerose e até de certos cancros (câncer), que parecem ser devidas à sua capacidade de modulação dos lipídios séricos.
O aporte de proteínas deve limitar-se a cumprir as recomendações internacionais, que se situam em aproximadamente 12 a 15% do Valor Calórico Total. O papel de alguns minerais é extremamente importante, em particular do cálcio que parece ser fundamental na prevenção da osteoporose.
As recomendações variam, mas a grande maioria dos autores concorda que a ingestão de cálcio diária deveria andar próxima dos 1200 mg/d. A ingestão dos restantes minerais deve ser semelhante em termos qualitativos e quantitativos ao que se passa com um adulto normal. A carência de ferro que por vezes se verifica na mulher durante a idade fértil, por ausência de menstruação nesta fase, tem tendência a reduzir-se.
As necessidades vitamínicas são muito semelhantes às de um adulto normal, sendo de lembrar sempre a necessidade de um aporte adequado de vitamina D para que se possa manter uma boa saúde óssea e um adequado equilíbrio no metabolismo entre o fósforo e o cálcico. Como em todas as etapas da vida é fundamental manter uma boa hidratação do organismo. Com o avançar dos anos são mais freqüentes determinados problemas e patologias diversas que muito se relacionam com o natural envelhecimento do organismo e em grande medida com alguns comportamentos alimentares menos saudáveis adaptados durante a sua vida.
Alguns destes problemas podem ser acelerados ou precipitados com a menopausa como a osteoporose e os problemas cardiovasculares. Neste período da vida começam a serem mais freqüentes as situações de hipertensão arterial, enfarte do miocárdio, obesidade e diabetes, sendo estas patologias situações que implicam alterações do ponto de vista alimentar e dietético. A redução da massa óssea é um fator etiológico essencial na gênese da osteoporose e osteopenia.
Do ponto de vista fisiopatológico existem dois tipos de osteoporose: o tipo I ou osteoporose pós-menopausica, caracterizada por uma perda óssea, sobretudo trabecular devida a uma carência de estrogênios que acontece na menopausa; a osteoporose do tipo II (osteopenia), que afeta ambos os sexos e que se manifesta numa idade mais avançada, existindo perda óssea tanto cortical como trabecular, o que pode produzir fraturas do fêmur.
Pertencer ao sexo feminino constitui um fator de risco na etiologia da osteoporose e osteopenia. O crescimento mais rápido da massa óssea acontece, sobretudo desde o início da puberdade até ao final da adolescência, sendo que cerca de metade da massa óssea é adquirida durante esta fase da vida. A fase de consolidação dessa massa dura até cerca dos 30 anos, sendo, sobretudo nesta fase que a prevenção através de uma boa nutrição se pode revelar mais eficaz.
Um aporte suficiente de cálcio parece ser importante para adquirir uma boa massa óssea, mas outros fatores como a vitamina D e os hormônios são também críticos para o desenvolvimento e consolidação do tecido ósseo. Os últimos dados da literatura apontam valores entre 1200 e 1600 mg/d de cálcio como necessidades durante a adolescência e a fase de consolidação.
O potencial ósseo adquirido durante a adolescência pode ser um excelente fator de proteção contra a osteoporose. O tratamento estrogênico da osteoporose pós-menopausa reduz a perda de óssea embora possa também apresentar alguma contra-indicações. Evidentemente que uma ingestão alimentar balanceada é um fator importante embora não o único para prevenir e tratar a osteoporose e a osteopenia.
Os produtos lácteos tornam-se alimentos indispensáveis pela sua riqueza em cálcio, mas, sobretudo porque também apresentam uma boa quantidade de vitamina D e uma excelente relação entre o cálcio e o fósforo. A osteoporose parece ser mais freqüente em indivíduos com deficiência de lactase devido a um baixo consumo de leite, sendo que alguns autores consideram importante a lactose para a absorção do cálcio e conseqüente otimização da sua biodisponibilidade.
Um bom aporte de cálcio no quadro de uma alimentação saudável é fundamental e para que a utilização do cálcio não se veja prejudicada é importante que não se abuse de fitatos e oxalatos que se podem encontrar em produtos integrais, cereais, por exemplo, que formam precipitados com o cálcio impedindo a sua absorção; evitar consumo excessivo de proteínas que parece poder reduzir a absorção do cálcio.
Reduzir o consumo de tabaco e álcool e ingerir quantidades adequadas de vitamina D. É fundamental não esquecer que a densidade óssea depende de fatores alimentares como o cálcio, a vitamina D e o fósforo entre outros, mas também do exercício físico que deve complementar qualquer quadro de alimentação saudável.
Naturalmente que a menopausa é um momento de alterações fisiológicas e algumas vezes de mudanças a nível psicológicos e sociais podem eventualmente contribuir para aumento de peso levando a obesidade que por seu turno pode causar ansiedade e depressão em mulheres que se preocupam com o seu aspecto físico. Por outro lado, a obesidade é um fator de risco de diferentes patologias como as doenças cardiovasculares, a diabetes, a hipertensão arterial, etc. Este fato confirma a necessidade de controlar o peso por intermédio de uma adequada intervenção dietética assim que o problema se torne mais evidente.
O tratamento da obesidade durante a menopausa pode ser norteado pelos seguintes pontos:
- Redução do aporte energético até 40% da ingestão calórica habitual, mantendo o equilibro nutricional.
- Assegurar aporte suficiente de cálcio, outros minerais e vitaminas.
- Ingerir água abundantemente a fim de manter uma boa diurese.
- Procurar obter uma perda de peso de aproximadamente 1 Kg por semana.
- Procurar um apoio psicológico caso seja necessário.
É freqüente ver-se aumentar a tensão arterial durante o período da menopausa e as medidas do ponto de vista da alimentação consistem essencialmente no controlo do sódio na alimentação. É possível seguir uma alimentação equilibrada e saudável sem recorrer á utilização de sal de cozinha. É importante saber criar hábitos que no que diz respeito à utilização de condimentos que tornem os alimentos apetecíveis e compatíveis com um padrão alimentar atrativo e saudável. Alimentos classicamente salgados como a charcutaria, os enchidos e a utilização de elevadas quantidades de sal de adição devem ser comportamentos a evitar.
Com a idade e, sobretudo no período pós-menopausa algumas mulheres experimentam aumentos da taxa de colesterol total e o HDL-C também pode diminuir pelo que aumenta teoricamente o risco de enfarte do miocárdio. É sabido que o risco de enfarte do miocárdio na mulher pós-menopausa é semelhante ao do homem.
Por estas razões será necessário proceder a algumas alterações dietéticas, em função dos problemas da mulher:
- Diminuição do colesterol alimentar;
- Diminuição de gorduras saturadas e gorduras adulteradas pela confecção culinária;
- Aumento dos ácidos gordos poliinsaturados Omega-3;
- Aumento dos ácidos gordos mono-insaturados;
- Diminuição do peso se o doente apresenta excesso ponderal;
- Manter um aporte adequado de cálcio, através de produtos lácteos que devem ser com menor quantidade de gorduras, mas não obrigatoriamente magro em todas as circunstâncias, podendo introduzir-se alguns frutos secos gordos.
Apesar de a menopausa ser uma etapa fisiológica do organismo feminino é óbvio que pode conduzir a uma série de transtornos que por vezes desencadeiam autênticas situações patológicas. Do ponto de vista da nutrição e alimentação pode afirmar-se que o fomento de uma alimentação saudável é o melhor fator de prevenção. De sublinhar a importância do cálcio desde muito cedo, sobretudo a partir da adolescência, durante também a gravidez e o período de amamentação.
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FONTE: João Breda
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