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Disfrenia Tardia


11/10/2011 10:00

Disfrenia Tardia



A disfrenia tardia é uma expressão médica que foi proposta originalmente pelo neurologista norte-americano Stanley Fahn e seus colaboradores ainda nos anos setenta. Nomeava uma nova, singular e rara modalidade de síndrome iatrogênica tardia, comportamental/mental ao invés de motora como habitual das demais síndromes tardias, observada nos pacientes psiquiátricos (esquizofrenia em particular) tratados com neurolépticos ou antipsicóticos típicos, o único tipo de medicamento antipsicótico disponível à época.

Foi concebida para figurar ao lado da discinesia tardia e demais síndromes tardias induzidas por neurolépticos, já reconhecidas (Distonia Tardia, Acatisia Tardia). Mais recentemente o psiquiatra brasileiro Leopoldo Hugo Frota, professor-adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ampliou o constructo original de Fahn de modo a também incluir os constructos independentes, embora relacionados em etiologia, da Psicose de Rebote, da Psicose por Supersensibilidade (Guy Chouinard) e da Esquizofrenia Pseudo-refratária (Heinz Lehmann & Thomas Ban) ou Refratariedade Secundária Adquirida. A etiologia de todas estas síndromes foi atribuída por Frota a uma adaptativa, mas duradoura e excessiva, proliferação (upregulation) dos receptores do tipo D2 da via dopaminérgica mesolímbica.

Ele implicou preferencialmente na nova síndrome os modernos antipsicóticos atípicos de segunda geração com ações mesolímbicas seletivas, ao contrário dos típicos ou neurolépticos que bloqueariam a neurotransmissão dopaminérgica em todas as quatro principais vias cerebrais (mesocortical, mesolímbica, nigro-estriatal e túbero-infundibular), mas especialmente a nigro-estriatal responsável pelos marcantes efeitos motores extrapiramidais e maiores riscos de Discinesia Tardia destes medicamentos tradicionais. Em colaboração com o psiquiatra italiano Andrea Mazzeo, propôs breve inventário semi-estruturado para levantamentos preliminares, mundialmente, de potenciais casos, disponibilizado em Português, Inglês, Espanhol, Francês e Italiano com vistas a inclusão da Disfrenia Tardia Induzida por Antipsicóticos como uma nova subcategoria diagnóstica nas classificações vigentes da:

1) APA (Associação de Psiquiatria Americana) - APA-DSM IV-TR, ao lado da Discinesia Tardia - 333.82

2) OMS (Organização Mundial da Saúde) - CID-10, no Capítulo XX - Causas Externas de Morbidade e Mortalidade; Grupo Y-40 até Y-84 - Complicações de Assistência Médica e Cirúrgica; Código Y-49.5 - Outros Antipsicóticos e Neurolépticos.

Critérios de pesquisa



A. O paciente apresenta sintomas novos ou exacerbação sintomatológica com inédita e injustificada gravidade, desenvolvidos após interrupção do uso ou ao longo da manutenção de doses fixas, que melhoram temporariamente com a reinstituição e ou incrementos sucessivos de doses de medicamentos antipsicóticos típicos e atípicos.

B. Os sintomas estão presentes por um período mínimo de 4 semanas e ocorrem segundo qualquer um dos seguintes padrões:

1. sintomas psicóticos: alucinações, delírio, desorganização do comportamento/pensamento;

2. sintomas maníacos/hipomaníacos, ciclóides, polimórficos e/ou disfóricos graves; ou 3. sintomas obsessivo-compulsivos ou tics-like.

C. Os sinais e sintomas nos Critérios A e B desenvolvem-se durante a exposição a um medicamento antipsicótico, ou dentro de 4 semanas após a abstinência de um medicamento antipsicótico oral (ou dentro de 8 semanas após a abstinência de um medicamento depot).

D. Houve exposição a um medicamento antipsicótico típico ou atípico por pelo menos 3 meses (1 mês se o indivíduo tem 60 anos ou mais).

E. As seguintes condições podem ser seguramente excluídas como causas dos sintomas observados:

- Psiquiátricas (p. ex.: Transtorno Bipolar; Transtorno Esquizo-Afetivo; Intoxicação ou Abstinência por Abuso de Substâncias como álcool, psicoestimulantes e/ou psicotomiméticos; Transtorno Obsessivo-Compulsivo; Transtorno Psicótico Agudo Transitório/Psicoses Ciclóides; Transtorno do Estresse Pós-Traumático).

- Neurológicas (p. ex.: Demência, Encefalite,Epilepsias, Coréias).

- Condições médicas gerais (por ex.: Hipertiroidismo, Doença de Wilson, AIDS, etc).

- Estresse Situacional Grave. - Exposição a medicamentos que causem sintomas psicóticos (por ex., L-dopa, bromocriptina, corticoesteróides, anticolinérgicos, antidepressivos).

NOTE BEM: Evidências de que os sintomas são devido a uma dessas etiologias podem incluir as seguintes: os sintomas precedem a exposição a um medicamento antipsicótico ou presença de sinais neurológicos focais inexplicáveis.

F. As seguintes explicações podem ser excluídas como causas dos sintomas:

1. Progressiva evolução naturalmente desfavorável do Transtorno prévio (por ex.: Esquizofrenia Primáriamente Refratária, Mania Aguda, Demência com Psicose);

2. Eventual Disforia Neuroléptica.

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FONTE: wikipedia
 

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