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Tipos de Dor


24/10/2011 10:00

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Tipos de Dor



As pessoas podem sofrer diversos tipos de dor. Algumas das principais síndromas dolorosas são a dor neuropática, estados dolorosos depois de uma cirurgia, a dor do cancro e a dor associada a perturbações psicológicas. A dor crônica é também um dos principais aspectos de muitas doenças, produzindo-se de maneira característica nos doentes com artrite, anemia de células falciformes, doença inflamatória do intestino e SIDA.

Dores neuropáticas



A dor neuropática é devida a uma anormalidade em qualquer ponto da via nervosa. Uma determinada anomalia altera os sinais nervosos, que, deste modo, são interpretados de forma anormal no cérebro. A dor neuropática pode produzir uma dor profunda ou uma sensação como a hipersensibilidade ao tato.

Certas infecções, como o herpes zóster, podem inflamar os nervos e provocar uma nevralgia pós-herpética, uma dor crônica em forma de ardor persistente na área infectada pelo vírus.

A distrofia simpática reflexa é um tipo de dor neuropática que é acompanhada de inchaço e de sudação ou de alterações na irrigação sanguínea local, ou então de alterações nos tecidos, tais como atrofia ou osteoporose. A rigidez das articulações (contraturas) impede a flexão ou extensão completa das mesmas.

Uma síndroma semelhante à distrofia reflexa é a causalgia, que se pode verificar depois de uma lesão ou que pode ser consequência de uma doença de um nervo principal. Tal como a distrofia simpática reflexa, a causalgia produz dor intensa com uma sensação de ardor, acompanhada de inchaço, sudação, alterações da circulação sanguínea e outros efeitos.

O diagnóstico da distrofia simpática reflexa ou da causalgia é importante porque alguns indivíduos afectados beneficiarão de forma muito significativa com um tratamento especial de bloqueio da função nervosa, denominado bloqueio nervoso simpático. Habitualmente, este tratamento não é indicado para tratar outras perturbações.

Dores pós-operatórias



Quase toda a gente sofre de dor pós-operatória. Trata-se de uma dor constante e intermitente que se agrava quando o doente se move, tosse, ri ou respira profundamente, ou quando se procede à mudança das ligaduras sobre a ferida cirúrgica.

Depois da cirurgia é habitual que se prescrevam analgésicos opiáceos (narcóticos), cuja eficácia será maior se se administrarem umas horas antes de a dor se tornar demasiado intensa. Pode aumentar-se ou completar-se a dose com outros fármacos se a dor aumentar transitoriamente, se o doente necessitar de se mexer ou no momento de mudar o curativo. Com desmaio frequência, trata-se a dor de forma pouco adequada devido à existência de uma preocupação excessiva acerca do aparecimento de uma dependência do uso de medicamentos opiáceos. Apesar disso, as doses deverão administrar-se segundo os necessidades de cada caso.

Tanto o pessoal da saúde como os familiares devem estar atentos ao aparecimento de qualquer efeito secundário dos opiáceos, como náuseas, sedação e confusão. Quando a dor estiver controlada, os médicos reduzirão a dose, prescrevendo analgésicos não opiáceos como o paracetamol (acetaminofeno).

Dor provocada pelo cancro



O cancro pode provocar dor de muitas maneiras. O tumor pode desenvolver-se nos ossos, nervos e outros órgãos, provocando desde um leve mal-estar a uma dor intensa e ininterrupta. Provocam também dor alguns dos tratamentos para o cancro, como a cirurgia e a radioterapia. Muitas vezes, as pessoas com cancro experimentam um sentimento de receio para com a dor, e a isso há que acrescentar que médicos e doentes evitam com demasiada frequência as doses de analgesia adequada, por um receio infundado a uma dependência, receios que, na realidade, não têm fundamento. A dor provocada pelo cancro pode e deve ser controlada.

Sempre e quando for possível, a melhor forma de aliviar a dor é aplicar um tratamento para o cancro. A dor pode diminuir quando se extirpa o tumor cirurgicamente ou quando se reduz mediante radiação, mas geralmente são necessários outros tratamentos para aliviar a dor.

Muitas vezes dão bons resultados os fármacos não opiáceos, como o paracetamol (acetaminofeno), e os anti-inflamatórios não esteróides. Caso contrário, o médico pode prescrever um analgésico opiáceo. Os opiáceos de ação prolongada são os que se prescrevem com maior frequência porque proporcionam mais horas de alívio entre as doses e geralmente permitem que o doente durma melhor.

Sempre que possível, os opiáceos devem ser tomados por via oral. Quando se trata de doentes com intolerância aos opiáceos orais, administram-se opiáceos por via subcutânea ou endovenosa. Estes podem injetar-se com poucas horas de intervalo, mas demasiadas injecções repetidas podem tornar-se incómodas. As picadas múltiplas com agulha podem evitar-se utilizando uma bomba de infusão contínua que se liga a um cateter previamente introduzido numa veia ou debaixo da pele. Se for necessário, podem acrescentar-se doses adicionais à infusão constante. Por vezes, o doente pode controlar a dosagem do fármaco carregando simplesmente num botão. Em circunstâncias pouco habituais, injetam-se os opiáceos diretamente no líquido cefalorraquidiano através de uma bomba, o que proporciona concentrações elevadas do fármaco no cérebro.

Com o tempo, alguns doentes necessitam de uma dose maior de opiáceos para controlar a dor, quer seja pelo aumento do tamanho do cancro, quer pelo desenvolvimento da tolerância para com o fármaco. Apesar disso, as pessoas com cancro não deveriam preocupar-se com o fato de o fármaco deixar de lhes fazer efeito ou poderem criar dependência. A maioria poderá deixar os opiáceos sem dificuldade se conseguir a cura do cancro. Mas, se não o conseguir, é fundamental que a pessoa não sofra dores.

Dor associada a perturbações psicológicas



Habitualmente, a dor é consequência de uma doença e é por esta razão que os médicos procuram, em primeiro lugar, uma causa que se possa tratar. Alguns doentes têm dores persistentes que se manifestam sem evidência de uma doença responsável pela dor. Outros experimentam um grau de dor e de incapacidade desproporcionadas em comparação com a dor que a maioria das pessoas com uma lesão ou uma doença semelhante sentem. A dor em que predominam os processos psicológicos está frequentemente relacionada, pelo menos, com parte dessas queixas. Na origem da dor pode predominar o fator psicogénico, mas a dor pode também ser consequência de uma perturbação orgânica que seja exagerada quanto ao grau e à duração devido ao stress psicológico. Na maioria das vezes, a dor que é produto de fatores psicológicos aparece sob forma de dor de cabeça, dor lombar, dor facial, dor abdominal ou dor pélvica.

O fato de a dor resultar (de forma parcial ou total) de fatores psicológicos não significa que esta dor não seja real. A dor psicogénica requer, às vezes, tratamento por um psiquiatra. Como acontece com outras abordagens terapêuticas indicadas nos estados de dor crônica, o tratamento para este tipo de dor é variável conforme as pessoas e, por isso, o médico tratará de o adequar às necessidades individuais. Em algumas pessoas, o tratamento é basicamente dirigido para a reabilitação e a terapia psicológica, enquanto outras recebem vários tipos de fármacos ou outros tratamentos.

Outros tipos de dor



Algumas doenças, entre elas a SIDA, provocam uma dor tão intensa e ininterrupta como a dor do cancro; por isso, o tratamento da dor nestas doenças é praticamente idêntico ao do cancro.

Outras perturbações, sejam ou não evolutivas, têm a dor como o principal problema. Entre os tipos mais frequentes de dor deve destacar-se o da artrite, cuja causa pode ser devida ao desgaste articular (artrose) ou a uma doença específica (artrite reumatóide). O médico pode tentar controlar a dor artrítica com fármacos, exercício e outros tratamentos, enquanto estuda a abordagem terapêutica para a doença subjacente.

Utiliza-se o termo «dor idiopática» para indicar que se desconhece a causa; o médico não encontra provas que sugiram uma doença nem uma causa psicológica.


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FONTE: Manual Merck
 

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