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Menopausa é a parada de funcionamento dos ovários. Ou seja, os ovários deixam de produzir os hormônios estrógeno e progesterona. Não é uma doença, é apenas um estágio na vida da mulher. A principal característica da menopausa é a parada das menstruações. No entanto em muitas mulheres a menopausa se anuncia por irregularidades menstruais, menstruações mais escassas, hemorragias, menstruações mais ou menos freqüentes. Não existe idade predeterminada para a menopausa. Geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos, no entanto pode ocorrer a partir dos 40 anos sem que isto seja um problema (porém nesse caso, os médicos comumente chamam de menopausa prematura). Não há relação entre a primeira menstruação e a idade da menopausa nem tão pouco existe relação entre a idade familiar da menopausa e a sua.
O climatério é a fase da vida em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, devido à diminuição dos hormônios sexuais produzidos pelos ovários.
A insuficiência ovariana é secundária ao esgotamento dos folículos primordiais que constituem o patrimônio genético de cada mulher. A diminuição dos níveis hormonais é um fato que ocorre com todas as mulheres e se inicia ao redor dos 40 anos. Algumas mulheres podem apresentar um quadro mais acentuado de sinais e sintomas, porém todas chegarão à menopausa.
A menopausa delimita as duas fases do climatério, o climatério pré- menopausa e o pós-menopausa.
A diminuição ou a falta dos hormônios sexuais femininos podem afetar vários locais do organismo e determinam sinais e sintomas conhecidos pelo nome de síndrome climatérica ou menopausal.
Sintomas da MenopausaAlgumas mulheres não sentem nada durante o período da menopausa, porém, a maioria poderá sentir alguns sintomas como:
Ondas de calor; De acordo com estudos recentes, as ondas de calor ocorrem em mais de 50% das mulheres que entram na menopausa e sua freqüência diminui para 30% das mulheres após 3 anos de menopausa. Apesar disto os sintomas podem persistir em 16 % das mulheres com 67 anos de idade.
Os sintomas normalmente também são relatados como:
Fogachos ou ondas de calor, que causam uma vermelhidão súbita sobre a face e o tronco, acompanhados por uma sensação intensa de calor no corpo e por transpiração. Podem aparecer a qualquer hora e muitas vezes são tão desagradáveis que chegam a interferir nas atividades do dia a dia;

Alterações urogenitais causadas pela falta de estrogênio que levam a atrofia do epitélio vaginal, tornando o tecido frágil a ponto de sangrar. Na vagina, a atrofia causa o estreitamento e encurtamento, perda de elasticidade e diminuição das secreções, ocasionando secura vaginal e desconforto durante a relação sexual (dispareunia). Modificações na flora vaginal facilitam o aparecimento de uma flora inespecífica que predispõe a vaginites. Outros efeitos indesejáveis ocorrem no nível da uretra e da bexiga, causando dificuldade de esvaziamento da mesma, perda involuntária de urina , ocasionando a chamada síndrome uretral, caracterizada por episódios recorrentes de aumento da freqüência e ardência urinária, além da sensação de micção iminente;
Alterações do humor, sintomas emocionais, tais como ansiedade, depressão, fadiga, irritabilidade, perda de memória e insônia devido às alterações hormonais que afetam a química cerebral;
Modificação da sexualidade com diminuição do desejo sexual (libido), que pode estar alterado por vários motivos, entre eles, a menor lubrificação vaginal;
Aumento do risco cardiovascular pela diminuição dos níveis de estrogênio;
O estrogênio protege o coração e os vasos sanguíneos contra problemas, evitando a formação de trombos que obstruem os vasos e mantendo os níveis do bom colesterol;O estrogênio é o hormônio básico da mulher. Sua produção começa na adolescência, quando é responsável pelo aparecimento dos sinais sexuais secundários na mulher, e vai até a menopausa.
A falta de estrogênio causa as ondas de calor ou fogachos em aproximadamente 75 a 80 % das mulheres.
O estrogênio também é responsável pela textura da pele feminina e pela distribuição de gordura. Sua falta causará a diminuição do brilho da pele e uma distribuição de gordura mais masculina, ou seja, na barriga.
É a falta de estrogênio que causa a secura vaginal que acaba por afetar o desejo sexual, pois transforma as relações em algo desagradável e doloroso.
O estrogênio também é relacionado ao equilíbrio entre as gorduras no sangue, colesterol e HDL - colesterol. Estudos mostram que as mulheres na menopausa têm uma chance muito maior de sofrerem ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.
Uma outra alteração importante na saúde da mulher pela falta de estrogênio é a irritabilidade e a depressão. O estrogênio está associado a sentimentos de alta estima e a falta dele pode causar depressão em graus variados.
Por último o estrogênio é responsável pela fixação do cálcio nos ossos. Após a menopausa grande parte das mulheres passará a perder o cálcio dos ossos, doença chamada osteoporose, responsável por fraturas e por grande perda na qualidade de vida da mulher.
Estudos recentes têm associado a falta de estrogênio ao Mal de Alzheimer, perda total da memória.
Porque tratar a Menopausa
Se a menopausa é um fenômeno natural na vida da mulher, qual a razão dos médicos proporem um tratamento?
No início da menopausa a mulher poderá sentir sintomas muito fortes o que interferem na sua maneira de viver.
Nos últimos 30 anos, as conquistas da ciência em geral e da medicina em particular aumentaram em muito a idade média dos homens e principalmente das mulheres.
Considerando a idade média da menopausa, por volta dos 45 anos, veremos que as mulheres passarão um terço de suas vidas sem hormônios.
Ocorre que a perda de cálcio, causa da osteoporose, aparece nos primeiros cinco anos da menopausa. O steoporose é uma doença grave relacionada à fraturas de vértebras (coluna) e de bacia. O tratamento com hormônios ou com substitutos hormonais reduz a ocorrência de fraturas de bacia em 25% e de coluna em 50% e deve ser iniciado logo no início da menopausa.
O objetivo do tratamento da menopausa é melhorar a qualidade da vida da mulher. Tratamentos para a MenopausaO gérmen de soja é a parte mais rica da soja, pois é onde se concentra 10 vezes mais isoflavonas que o restante do grão.
A isoflavona da soja é um composto da soja, também conhecido como fitoestrogênio. Sua estrutura é semelhante ao hormônio feminino (estrógeno).
No processo da menopausa, o organismo da mulher deixa de produzir gradativamente esse hormônio feminino (estrógeno).

O gérmen da soja vem se constituindo como uma alternativa cada vez mais utilizada na terapia de reposição hormonal natural.
Veja o que alguns médicos dizem:
“O principal benefício do gérmen de soja é a qualidade de vida que oferece para as mulheres que, como eu, não podem fazer outra terapia de reposição hormonal”. (Dra. Jane Corona - Médica nutróloga).
“A maioria dos estudos tem mostrado efeito positivo da isoflavona na freqüência e na intensidade dos fogaços...” (Dra. Helena Hachul de Campos - Médica da Escola Paulista Medicina)."Algumas mulheres na menopausa convivem com a Síndrome do Climatério, mas não podem fazer a reposição hormonal convencional. Histórico familiar de câncer de mama (mãe e irmã), casos de câncer de mama ou de endométrio recente, trombose venosa aguda e aquelas com intolerância à TRH convencional edema, ganho de peso, mastalgia (dor nas mamas) e cefaléia estão impedidas de realizarem o tratamento e devem recorrer a terapêuticas alternativas, como a isoflavona, substância presente no gérmen de soja". (Dra. Eliana Petri Nahás - profª do Deptº de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP).

" O nosso objetivo foi comparar o efeito do gérmen de soja com a terapia de reposição hormonal simples (17 betaestradiol) e combinada (17 betaestradiol + acetato de noretisterona) por três meses, sobre fatores relacionados ao risco para a doença cardiovascular na menopausa. Neste trabalho, o gérmen de soja apresentou resultados positivos e semelhantes aos do estradiol em relação à inibição da oxidação de lipoproteínas (formação de LDL oxidada, óxidos de colesterol e nitrotirosina) e a vasodilatação (produtos derivados do óxido nítrico), apresentando, portanto, ações potencialmente benéficas que poderiam contribuir para a redução do risco de doença cardiovascular na mulher na menopausa". (Drª Dulcinéia Abdalla, graduada em Farmácia- Bioquímica).
Saiba mais sobre o Gérmen de Soja no Tratamento da Menopausa.
Linhaça Um outro produto natural que pode auxiliar também o tratamento dos sintomas da menopausa é o óleo de linhaça.
A linhaça é a maior fonte alimentar de lignanas, um fitoesteróide que "imita" a ação do estrógeno. A lignana é muito importante no período da menopausa, quando as taxas desse hormônio são baixas, sendo ela um importante agente natural na reposição desse hormônio. A lignana "engana" os receptores de estrógeno e se acopla a eles. Tratando-se de um óleo vegetal natural, os fitoesteróides têm uma ação fraca em relação ao estrógeno, não tendo ação negativa sobre o tecido mamário. Sendo assim, a lignana é uma substância importante na prevenção do câncer de mama, por neutralizar a ação do estrógeno sobre esse tecido.
As lignanas da linhaça desempenham importante papel no equilíbrio hormonal.
Estudos com mulheres mostram o papel da linhaça na manutenção da saúde óssea e também seu efeito na redução de risco de câncer hormônio dependente. Auxiliam no combate a sintomas da TPM e da menopausa, bem como ajudam a prevenir o surgimento de câncer de mama, principalmente se combinadas com as isoflavonas da soja.
Tratamento ou Terapia de Reposição Hormonal
Como o que falta na menopausa é o estrógeno, outro tratamento pode ser a base de reposição hormonal.
Trabalhos científicos mostram que há vantagens para a qualidade de vida da mulher que é tratada precocemente em relação à menopausa se a mesma tiver sintomas. Porém, somos mais a favor da terapia natural realizada com o gérmen de soja, a qual além de ser natural, não possui nenhuma contra-indicação e resolve na maioria dos casos sem nenhum efeito colateral, inclusive trazendo outros benefícios para a saúde das pacientes.
Em mulheres que ainda tem o útero é importante associar a progesterona para proteger contra o risco de câncer do endométrio.
Caso se opte pelo tratamento ou terapia de reposição hormonal, o mais importante é que o tratamento seja individualizado. Médico e paciente devem discutir todas as vantagens e riscos dos diversos tipos de terapia existentes e chegar a um consenso sobre o que fazer.
No tratamento ou terapia hormonal, Existem diversas maneira de se administrar o estrógeno: via oral, via transdérmica, via vaginal, e injetável.
No Brasil as duas vias mais comuns são a transdérmica e a oral, tendo sido lançado recentemente o implante subcutâneo.
Transdérmica é uma espécie de adesivo que é colocado na pele uma ou duas vezes por semana e que pode conter somente estrógeno ou estrógeno e progesterona.
Ainda transdérmicos existem cremes e aerossóis de hormônios os quais tem o inconveniente de terem de ser usados diariamente, porém, tem a vantagem de não descolar como acontece com alguns adesivos em algumas mulheres.
Pela via oral podem ser administrados estrógenos e progesterona.
Os implantes são colocados embaixo da pele e duram 6 meses.
Existem diversas maneiras de se usar os hormônios.
No entanto algumas advertências tem de ser feitas:
Esta fase ocorre em geral a partir do fim dos 30 anos até o meio dos 40 anos. É um período de transição em que a mulher ainda está ovulando, mas começa a sentir alguns sintomas da menopausa. A perimenopausa geralmente dura 5 anos, mas pode durar somente 2 anos ou pode chegar a até mesmo 8 anos para algumas mulheres. Nesta fase começa a diminuição gradual da produção hormonal dos ovários. Nos últimos dois anos a mulher começa a sentir mais intensamente os sintomas da menopausa, pois a diminuição do estrogênio acelera.
Menopausa – Ciclos menstruais paramEsta fase ocorre em geral no fim dos 40 anos até o meio dos 50 anos. Os ovários interrompem a liberação dos óvulos e produzem maior quantidade de estrogênio. A mulher passa a não ter mais ciclo menstrual. Nesta fase, as mulheres podem sentir os sintomas da menopausa com mais intensidade. Quando a mulher passa mais de um ano sem um ciclo menstrual considera-se que ela entrou no período pós-menopausa.
Pós-menopausa – Esta fase ocorre em geral depois dos 50 anos e com o aumento dos riscos para a saúde
Climatério X Menopausa
Muitas pessoas confundem climatério com menopausa, pois desconhecem a definição exata dos dois termos. São conceitos diferentes. O climatério é uma importante fase de transição na vida da mulher, enquanto a menopausa é um acontecimento marcante dessa fase.
da menopausa, os sintomas diminuem para a maioria das mulheres. No entanto, nesse período muitas mulheres começam a sofrer conseqüências na saúde, em virtude da interrupção do ciclo menstrual e da produção hormonal (diminuição dos níveis de estrogênio e outros hormônios), como osteoporose e doenças cardíacas.
No corpo humano, cada uma das fases da vida é marcada por mudanças fisiológicas e psicológicas. E a menopausa talvez seja a fase que proporciona alterações mais radicais no corpo e na mente feminina. Essas mudanças, que começam normalmente entre os 45 e 55 anos, estão ligadas principalmente ao metabolismo hormonal. É o período que os ovários param de funcionar, deixando de fabricar os hormônios como o estrogênio e a progesterona.
Quando a mulher para de produzir esses hormônios, o corpo sofre os efeitos. E uma das regiões do corpo da mulher que deixa clara as alterações do fim da menstruação são os cabelos. Eles ficam mais finos, mais fracos e até mesmo a queda capilar pode ocorrer nessa fase. Essas alterações ocorrem em vista da redução da produção dos hormônios femininos, mas também por uma discreta redução na absorção de nutrientes pelo aparelho digestivo.
Para não perder o brilho e a saúde dos cabelos, o consumo do gérmen de soja e o uso de cosméticos, hidratantes, máscaras de tratamento nutritivo e antienvelhecimento é uma boa pedida para quem quer se cuidar e se manter linda em todas as idades. Mas não vá gastar uma pequena fortuna em produtos da moda. cuide para não errar o alvo e esvaziar os bolsos com produtos que não resolvem. Caso sinta necessidade, consulte um especialista.
Verdades e Mitos sobre a TRH
Os benefícios:
Restaurar os níveis hormonais da mulher oferece a possibilidade de que ela não tenha um comprometimento em sua qualidade de vida. O tratamento afasta os inúmeros sintomas desagradáveis como ondas de calor, suores noturnos, náuseas, mal-estar, dores de cabeça, palpitações, falta de sono, cansaço, irritabilidade, depressão, nervosismo, variação de peso e falta de desejo sexual. Segundo os médicos, a reposição hormonal também é uma grande aliada no combate à osteoporose, que atinge a maioria das mulheres com mais de 60 anos.
Os perigos:
Para o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira do Climatério (Sobrac), a reposição não é indicada para mulheres fumantes, com tendência a câncer de mama, hipertensão grave ou que tenham tido quadros de enfarte, trombose, embolia ou acidentes vasculares cerebrais.
Fito-Hormônios:
Apesar de ainda serem criticados por alguns médicos, a experiência clínica mostra que os sintomas são eliminados. A ginecologista Semida Rodesky explica que, com os fito-hormônios, os receptores do organismo feminino entendem estar recebendo hormônios de verdade e os sintomas desaparecem. Os fito-hormônios vêm de princípios ativos de plantas como soja, yam mexicano, red clover, black cohosh, dons quai, agnus castus. Sem dúvida, o fito-hormônio que tem se mostrado mais eficaz em testes clínicos é o gérmen de soja.
Depressão Grave:
O psiquiatra Elie Cheniaux Jr. fez uma pesquisa no Serviço de Psiquiatra da UERJ e no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, nos quais trabalha, e constatou que 5% das mulheres que menstruam têm problemas psiquiátricos, como crises depressivas graves, atribuídos à TPM ou à menopausa. A menopausa e a TPM causam, segundo ele, depressões brandas, mas os casos graves são de ordem psiquiátrica e não ginecológica. As mulheres da pesquisa, porém, preferiam acreditar que seus problemas se devem à TPM ou à menopausa.
Gérmen de Soja reduz risco de doenças do coração em mulheres na Menopausa
Está comprovado, gérmen de soja reduz o risco de doenças cardiovasculares em mulher na menopausa e sua utilização não apresenta nenhum efeito colateral. A conclusão é parte de um estudo realizado pela farmacêutica Isabela Rosier Olimpio Pereira em seu doutorado pela Universidade de São Paulo.
A pesquisa compara o efeito do gérmen de soja com a terapia de reposição hormonal simples e combinada por 3 meses sobre fatores de risco para a doença cardiovascular na menopausa.
As 60 mulheres pesquisadas, com idades entre 50 e 65 anos (em menopausa natural há pelo menos 1 ano), tinham colesterol elevado e hipertensão moderada e controlada. Durante todo o estudo as pacientes tiveram acompanhamento médico e nutricional.
Sob a orientação da Prof. Dra Dulcineia Saes Parra Abdalla, o estudo foi conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP com a colaboração de cardiologistas do Instituto Dante Pazzanese de cardiologia. As 60 mulheres participantes foram triadas no ambulatório do setor de deslipidemias do instituto.
O produto que a farmacêutica utilizou para desenvolver a pesquisa foi cápsulas de Gérmen de Soja. Foram utilizadas 2 cápsulas de 500 mg de 12 em 12 horas, após as refeições (totalizando 4 cápsulas ao dia). "Ao final do estudo chegamos a conclusão de que uma dose maior poderia ter trazido melhores resultados", diz a farmacêutica. "O consumo de soja e derivados poderia também ter levado a bons resultados, mas para alcançar a concentração de isoflavonas recomendada, as pessoas precisariam comer grandes quantidades de produtos de soja e várias vezes ao dia, todos os dias.
A seguir, Isabela Rosier Olimpio Pereira dá detalhes do seu estudo e indica como a mulher deve se portar nessa fase tão delicada, buscando na natureza o equilíbrio hormonal, a partir do uso do gérmen de soja e de seu principal componente, a isoflavona.
Isabela Rosier Olimpio é farmacêutica formada em 1997 pela Universidade Federal do Ceará, Mestre (2000) e Doutora (2004) em Ciência dos Alimentos pela Universidade de São Paulo. Atualmente, leciona como professora de Bioquímica e Bromatologia da UniABC e está se preparando para iniciar o pós-doutorado.
Do que trata o estudo e quanto tempo ele durou: O objetivo foi comparar o efeito do gérmen de soja com a terapia
de reposição hormonal simples (17 beta-estradiol) e combinada (17 beta estradiol+acetato de noretisterona) por três meses sobre fatores de risco para a doença cardiovascular na menopausa. Participaram deste estudo 60 mulheres hipercolesterolêmicas (com colesterol elevado) com idade entre 50 e 65 anos e em menopausa natural há pelo menos um ano. Essas mulheres tiveram acompanhamento médico e nutricional durante todo o estudo. Elas foram randomicamente divididas em 3 grupos de 20 e foram submetidas inicialmente ao "tratamento" com placebo durante 1 mês e depois a 3 meses com o tratamento (gérmen de soja, estradiol ou estradiol + progestógeno).
Após o placebo e ao final do tratamento, as mulheres fizeram uma coleta de sangue (para a realização dos exames) e a análise da reatividade vascular.
Os exames de sangue realizados foram colesterol, triglicérides, óxido nítrico (substância responsável pela vasodilatação) e produtos de oxidação de colesterol e LDL - todos relacionados com aumento do risco da doença cardiovascular.
As mulheres pesquisadas tinham colesterol e hipertensão? Era proposital?
As mulheres eram hipercolesterolêmicas e tinham hipertensão moderada controlada. O estrógeno, hormônio feminino, tem ação protetora na redução do risco de doenças cardiovasculares em mulheres pré-menopausa em relação aos homens na mesma faixa etária. Quando uma mulher entra na menopausa, a produção de estrógeno é interrompida e com isso, muitas mulheres têm colesterol e a pressão sanguínea aumentados, e isso aumenta o risco de doença cardiovascular. Um dos intuitos da terapia de reposição hormonal era amenizar o risco de doenças cardiovasculares, porém além de ter vários efeitos colaterais e não poder ser usada em mulheres com risco de câncer, estudos recentes têm questionado esta ação protetora da terapia de reposição hormonal com resultados que indicam aumento do risco de doença cardiovascular e doenças trombolíticas com o seu uso. Por isso, participaram do estudo mulheres hipercolesterolêmicas e hipertensas (fatores de risco para doenças cardiovasculares), pois são condições bastante comuns na menopausa. Um outro importante fator de risco para a doença aterosclerótica é a produção de radicais livres e conseqüente oxidação de estruturas do organismo, como colesterol e LDL. O nosso objetivo, portanto, foi avaliar os efeitos do gérmen de soja sobre estes fatores de risco que são comuns na menopausa.
Quais as conclusões finais sobre a comparação do gérmen de soja com a Terapia de Reposição Hormonal?
O gérmen de soja, por conter isoflavonas, que são substâncias antioxidantes mostrou ações benéficas na redução do risco de doença cardiovascular para a mulher na menopausa, com a vantagem de não ter efeitos colaterais comprovados. Porém somente o gérmen de soja na dose utilizada não foi suficiente para redução de colesterol e triglicérides como foi o estradiol.
Vocês utilizaram as cápsulas de Gérmen de Soja pura no tratamento?
Sim, foi utilizado cápsulas de gérmen de soja pura, 2 cápsulas de 500 mg de 12 em 12 horas, após as refeições (totalizando 4 cápsulas ao dia). Ao final do estudo chegamos à conclusão de que uma dose maior poderia ter trazido melhores resultados. O consumo de soja e derivados poderia também ter levado a bons resultados, mas para alcançar a concentração de isoflavonas recomendada, as pessoas precisariam comer grandes quantidades várias vezes todos os dias. No Brasil, a aceitação da soja não é muito boa, portanto, as cápsulas de gérmen de soja foram uma boa opção. O gérmen de soja tem uma elevada concentração de isoflavonas associadas à proteína da soja, diferente dos extratos disponíveis comercialmente que contém a maior parte das isoflavonas na forma aglicona. Vários estudos têm comprovado que as isoflavonas (fitoestrógenos) são mais biodisponíveis quando associadas a proteína da soja porque estão nas formas glicosídicas.
Quem colaborou com o estudo?
Este estudo foi a minha tese de doutorado e foi conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, sob a orientação da Prof. Dra Dulcineia Saes Parra Abdalla, com a colaboração de cardiologistas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia - SP (Dr Marcelo Chiara Bertolami e Dr Andre Arpad Faludi) e do Prof. Dr José Mendes Aldrighi da Escola de Saúde Pública-USP. As mulheres foram triadas no ambulatório do setor de deslipidemias do Inst. Dante Pazzanese.
Antes deste doutorado a senhora já havia estudado efeitos do soja?
No mestrado (2000), nós fizemos um trabalho experimental com coelhos machos. Estes coelhos foram alimentados com uma dieta que causasse aterosclerose. Um grupo de animais foi suplementado com isoflavonas de soja e outro não. Os animais suplementados tiveram o colesterol reduzido, diminuição de produtos de oxidação de lipídeos e menos lesões nos vasos sanguíneos (aterosclerose) que os animais não suplementados. Isso nos estimulou a verificar esses efeitos em humanos. Mas os resultados do trabalho experimental feito em coelhos também foi importante porque os resultados positivos foram encontrados em coelhos machos, ou seja a ação antoxidante das isoflavonas não é dependente do seu efeito como fitohormônio feminino. Dada a problemática da menopausa em que ocorre aumento do risco de doença cardiovascular e sendo as isoflavonas consideradas fitoestrogênios, decidimos avaliar este efeito especificamente em mulheres com tais fatores de risco, que resultou no trabalho do doutorado.
Quais as vantagens em tratamentos com cápsulas de gérmen de soja pura?
Os benefícios da soja culminaram com a recomendação do FDA do consumo de 25g de proteína da soja por dia para prevenção de doenças cardiovasculares. A soja ajuda a reduzir colesterol e tem substâncias antioxidantes (isoflavonas) e está associada à redução de sintomas da menopausa. A inibição da agregação plaquetária é um dos efeitos da isoflavonas, dentre outros como efeito antioxidante, inibição de proliferação de células, anti-cancerígeno, ativação de receptores de estrógenos, etc.
Qual a alternativa para aliviar os efeitos da TRH (Terapia de Reposição Hormonal) convencional?
Desde que a TRH convencional não seja indicada, o uso de isoflavonas pode ser uma boa alternativa para a mulher na menopausa.
A terapia com gérmen de soja também é indicada para mulheres mais jovens, ou apenas no período da menopausa?
Embora o consumo de soja esteja se difundindo entre as mulheres no climatério para redução dos sintomas e riscos da menopausa, o seu consumo é benéfico para todas as idades e todos os sexos. Pois independente do efeito estrogênico, as isoflavonas são substâncias antioxidantes e inibidoras da agregação plaquetária, prevenindo doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer.
Principais Benefícios do uso do Gérmen de Soja:
- Previne e auxilia no tratamento de doenças cardiovasculares.
- Alivia os sintomas da menopausa.
- As fibras contidas no gérmen de soja normalizam a função intestinal.
- Previne e auxilia o tratamento da Doença de Alzheimer.
- Ação antimutagênica e antiproliferativa que agem na prevenção e auxilia no tratamento de diversos tipos de câncer, como: câncer de mama, próstata, bexiga, cólon e endométrio.
- Ação anti-hipertensiva.
- As isoflavonas aliviam os sintomas da menopausa como: ondas de calor, distúrbios emocionais, perda de elasticidade da pele, irritabilidade e insônia.
- Previne distúrbios osteometabólicos que dão origem à osteoporose oriunda da idade ou decorrente da redução de estrógeno na entrada da menopausa, inibindo a perda de cálcio.